Nós na Flip 2009


Bandeira, por Zuenir e Edson Nery
5 05UTC Julho 05UTC 2009, 20:09
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A mesa que reuniu o jornalista Zuenir Ventura e o professor Edson Nery da Fonseca foi uma das mais aplaudidas desta edição. Os dois falaram sobre a amizade que travaram com Manuel Bandeira. Edson Nery contou que conheceu o poeta em 1946, quando foi morar no Rio de Janeiro, e o procurou para tirar algumas dúvidas. Uma delas foi em relação ao poema Balada das três mulheres do sabonete Araxá. A uma certa altura, Bandeira fala delas às quatro horas. Fonseca quis saber porque quatro e não três ou seis horas. O poeta explicou que, segundo Jaime Ovalle, esse era o horário em que as mulheres, tendo tomado banho pela manhã, ficam melhores para a cama. Já Zuenir, que foi aluno de Bandeira no Curso de Letras Hispano-Americanas da Faculdade Nacional de Filosofia, nos anos 50, contou que ele era feio mas vaidoso e fazia sucesso com o público feminino. Mesmo já sendo consagrado, era um professor simples, nunca faltava. Os alunos só ficavam frustrados porque ele nunca abordava a própria obra, mas era um grande conhecedor da obra de diversos poetas.

Por Simone Magno



Trem de ferro
5 05UTC Julho 05UTC 2009, 15:50
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tremA réplica do trem, que homenageia o poema Trem de ferro, de Manuel Bandeira, foi um dos destaques da praça da Matriz nesta edição. Era o principal cenário para muitas fotos.

Por Simone Magno



Duas aulas
4 04UTC Julho 04UTC 2009, 23:02
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Uma aula de jornalismo seguida de uma aula de literatura. Assim foram as duas mesas que encerraram o sábado aqui na Flip. O jornalista americano Gay Talese contou que o segredo para escrever sobre dramas reais é ouvir todo tipo de pessoas, principalmente pessoas comuns. E acrescentou que ele próprio é uma pessoa comum, com a diferença que sempre teve curiosidade. Já o escritor português António Lobo Antunes disse que escrever é trabalhar com as pequenas coisas, que é preciso reescrever muito e ter uma atitude humilde, e comparou a simplicidade das palavras aos dribles de Garrincha.

Por Simone Magno



Discutindo a relação
4 04UTC Julho 04UTC 2009, 16:28
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Durante a mesa que marcou o primeiro encontro público entre os dois depois da separação, os franceses Grégoire Bouillier e Sophie Calle falaram sobre a exposição Prenez soin de vous (cuide de vós). Para a mostra, a escritora, fotógrafa e documentarista repassou o e-mail que o escritor enviou para ela rompendo o relacionamento para 107 mulheres de profissões diferentes, que abordaram o texto de maneira única, a psicóloga analisando o lado da relação, a professora de francês corrigindo os erros da escrita, a atriz interpretando e por aí vai. Sophie disse na Flip que o e-mail era ambíguo mas que não procurou o ex-amante porque se ele pedisse para voltar ela aceitaria e seria o fim da exposição que estava em andamento. Já Bouillier reclamou que o trabalho foi em cima de um texto pessoal, de um amante, não de um escritor. Perguntado sobre o motivo pelo qual usa “vous” (vós) em vez de “tu” (você), ele disse que costuma usar “vous” com todas as mulheres que ama. Ela emendou: também usa “vous” com todos os homens com os quais dorme.

Por Simone Magno



Ross e a morte do autor
4 04UTC Julho 04UTC 2009, 15:06
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Acabo de sair do papo entre Alex Ross, crítico da “New Yorker”, e Arthr Dapieve de “O Globo”. Em meio a descrições de passagens da história da música clássica do século XX, tema do ótimo “O resto é ruído” de Ross, uma reflexão do escritor me chamou a atenção. Formado em literatura em Harvard, Ross lembra do excesso de leituras críticas em relação ao estudo de obras literárias. Em meio ao “boom” da desconstrução francesa de Foucault e Derrida, a obra e os autores deixavam se ser o foco dos estudos literários.
Interessante é pensar que nas universidades brasileiras, vinte anos depois do quadro descrito pelo escritor americano, seguimos na mesma toada. Formamos, cada vez mais, críticos que estudam a teoria crítica, mas que tem um parco repertório ficcional.

Por José Godoy



Macambira e Querindina
4 04UTC Julho 04UTC 2009, 14:03
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cordel
Paraty não existe sem os tipos que levam humor à literatura. Diante do rio Perequê-Açu, o casal vende livrinhos de literatura de cordel, um a R$ 2 e três por R$ 5, com figurino bem caprichado.

Por Simone Magno



Pastel de 30cm
4 04UTC Julho 04UTC 2009, 13:06
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Quando acaba a última palestra, por volta das oito e meia da noite, os restaurantes mais badalados de Paraty regurgitam gente e estendem o clima de ver-e-ser-visto. Mas também há versões bem mais em conta da chamada “baixa gastronomia”. O lugar mais procurado é o trailer que fica ao lado da ponte e que vende pastéis de 30cm. Eles custam entre R$ 6 e R$ 11, sendo que este último, o “especial”, é recheado com tudo o que se possa imaginar. E assim ficam saciadas todas as fomes.

Por Mariza Tavares



Frase do dia
3 03UTC Julho 03UTC 2009, 22:55
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De Mario Bellatin, durante mesa que dividiu com Cristovão Tezza: “Já afirmei várias coisas mas posso mudá-las, não assinei contrato comigo mesmo.”

Por Simone Magno



Celebridade literária
3 03UTC Julho 03UTC 2009, 22:23
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Chico Buarque como sempre encantou o público que lotou as duas tendas, a dos Autores e a do Telão, esta última ainda com gente do lado de fora tentando aproveitar um pouquinho da mesa desta noite. O mediador Samuel Titan Jr. até que conduziu bem a mesa, dividindo o tempo entre Chico e Milton Hatoum (ainda mais sendo Hatoum!), mas é claro que o público estava lá basicamente para ver o cantor, com direito a tietagem explícita. Além de falar sobre Leite derramado, Chico contou que usa o Google e que a imaginação não existe, porque está tudo lá. No final, depois de ter citado o livro O cheiro do ralo, de Lourenço Mutarelli, como um dos que mais gostou da literatura brasileira contemporânea, deu um puxão de orelha nos nossos escritores, dizendo que eles reclamam que não são lidos mas em geral eles mesmos dizem que leem autores clássicos estrangeiros como Flaubert e Kafka em vez de citar escritores nacionais. E disse que não considera a música brasileira inferior à literatura, tanto que Guimarães Rosa não é superior a João Gilberto. Sim, Chico foi dar autógrafos – e ainda zombou da organização que avisou que fotos estavam proibidas, insinuando que evitar os flashes seria impossível.

Por Simone Magno



Protestos
3 03UTC Julho 03UTC 2009, 21:42
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Aproveitando os milhares de visitantes da Flip, pipocam aqui e ali protestos. Na tarde desta sexta, cerca de 50 manifestantes do Fórum de Comunidades Tradicionais (indígenas, quilombolas, caiçaras) circularam pelas ruas do centro histórico denunciando a especulação imobiliária nas localidades próximas de Trindade e Laranjeiras. Paraty não é Pasárgada.

Por Mariza Tavares