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A mesa que reuniu o jornalista Zuenir Ventura e o professor Edson Nery da Fonseca foi uma das mais aplaudidas desta edição. Os dois falaram sobre a amizade que travaram com Manuel Bandeira. Edson Nery contou que conheceu o poeta em 1946, quando foi morar no Rio de Janeiro, e o procurou para tirar algumas dúvidas. Uma delas foi em relação ao poema Balada das três mulheres do sabonete Araxá. A uma certa altura, Bandeira fala delas às quatro horas. Fonseca quis saber porque quatro e não três ou seis horas. O poeta explicou que, segundo Jaime Ovalle, esse era o horário em que as mulheres, tendo tomado banho pela manhã, ficam melhores para a cama. Já Zuenir, que foi aluno de Bandeira no Curso de Letras Hispano-Americanas da Faculdade Nacional de Filosofia, nos anos 50, contou que ele era feio mas vaidoso e fazia sucesso com o público feminino. Mesmo já sendo consagrado, era um professor simples, nunca faltava. Os alunos só ficavam frustrados porque ele nunca abordava a própria obra, mas era um grande conhecedor da obra de diversos poetas.
Por Simone Magno
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A réplica do trem, que homenageia o poema Trem de ferro, de Manuel Bandeira, foi um dos destaques da praça da Matriz nesta edição. Era o principal cenário para muitas fotos.
Por Simone Magno
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Há muitos Bandeiras, este é o último deste blog, mas convido todos que nos leram a procurar mais facetas deste poeta magnífico.
Autorretrato:
Provinciano que nunca soube
Escolher bem uma gravata;
Pernambucano a quem repugna
A faca do pernambucano;
Poeta ruim que na arte da prosa
Envelheceu na infância da arte,
E até mesmo escrevendo crônicas
Ficou cronista de província;
Arquiteto falhado, músico
Falhado (engoliu um dia
Um piano, mas o teclado
Ficou de fora); sem família,
Religião ou filosofia;
Mal tendo a inquietação de espírito
Que vem do sobrenatural,
E em matéria de profissão
Um tísico profissional.
Por Mariza Tavares
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A curadora e crítica de arte Catherine Millet ficou conhecida aqui por um livro polêmico e autobiográfico, A vida sexual de Catherine M., em que narrava sem subterfúgios aventuras sexuais de todo tipo. Agora ela vem para lançar outro livro confessional, A outra vida de Catherine M., em que conta a dor que sofreu ao descobrir a traição do marido, com quem vive há 30 anos.
Confira:
11h30 – Mesa 16 – As sem razões do amor – Catherine Millet com Maria Rita Kehl
14h30 – Mesa 17 – O futuro da América – Simon Schama em conversa com Lilia Moritz Schwarcz
16h15 – Mesa 18 – Antologia pessoal – Edson Nery da Fonseca e Zuenir Ventura
18h – Mesa 19 – Livro de cabeceira
Na Tenda dos Autores: 9h30 – Mesa especial – Como a cultura desenha a cidade
Por Simone Magno
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Uma aula de jornalismo seguida de uma aula de literatura. Assim foram as duas mesas que encerraram o sábado aqui na Flip. O jornalista americano Gay Talese contou que o segredo para escrever sobre dramas reais é ouvir todo tipo de pessoas, principalmente pessoas comuns. E acrescentou que ele próprio é uma pessoa comum, com a diferença que sempre teve curiosidade. Já o escritor português António Lobo Antunes disse que escrever é trabalhar com as pequenas coisas, que é preciso reescrever muito e ter uma atitude humilde, e comparou a simplicidade das palavras aos dribles de Garrincha.
Por Simone Magno
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Durante a mesa que marcou o primeiro encontro público entre os dois depois da separação, os franceses Grégoire Bouillier e Sophie Calle falaram sobre a exposição Prenez soin de vous (cuide de vós). Para a mostra, a escritora, fotógrafa e documentarista repassou o e-mail que o escritor enviou para ela rompendo o relacionamento para 107 mulheres de profissões diferentes, que abordaram o texto de maneira única, a psicóloga analisando o lado da relação, a professora de francês corrigindo os erros da escrita, a atriz interpretando e por aí vai. Sophie disse na Flip que o e-mail era ambíguo mas que não procurou o ex-amante porque se ele pedisse para voltar ela aceitaria e seria o fim da exposição que estava em andamento. Já Bouillier reclamou que o trabalho foi em cima de um texto pessoal, de um amante, não de um escritor. Perguntado sobre o motivo pelo qual usa “vous” (vós) em vez de “tu” (você), ele disse que costuma usar “vous” com todas as mulheres que ama. Ela emendou: também usa “vous” com todos os homens com os quais dorme.
Por Simone Magno
Filed under: flip2009
Acabo de sair do papo entre Alex Ross, crítico da “New Yorker”, e Arthr Dapieve de “O Globo”. Em meio a descrições de passagens da história da música clássica do século XX, tema do ótimo “O resto é ruído” de Ross, uma reflexão do escritor me chamou a atenção. Formado em literatura em Harvard, Ross lembra do excesso de leituras críticas em relação ao estudo de obras literárias. Em meio ao “boom” da desconstrução francesa de Foucault e Derrida, a obra e os autores deixavam se ser o foco dos estudos literários.
Interessante é pensar que nas universidades brasileiras, vinte anos depois do quadro descrito pelo escritor americano, seguimos na mesma toada. Formamos, cada vez mais, críticos que estudam a teoria crítica, mas que tem um parco repertório ficcional.
Por José Godoy
Filed under: pós-flip
A irlandesa Edna O’Brien, que se apresentou ontem na Flip, e a chinesa Xinran, que esteve no evento na quinta-feira, participam de debate literário na próxima terça-feira, às 19h, no Rio de Janeiro, no Oi Futuro (Rua Dois de Dezembro, 63 – nível 7 – Flamengo). Com mediação de Valéria Lamego, editora e pesquisadora acadêmica, e de Cristiane Costa, jornalista e doutora em Comunicação e Cultura, a mesa tem como tema A tradução da liberdade. Participação também do poeta brasileiro Paulo Henriques Brito. A entrada é franca, com distribuição de senhas meia hora antes.
Por Simone Magno
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Paraty não existe sem os tipos que levam humor à literatura. Diante do rio Perequê-Açu, o casal vende livrinhos de literatura de cordel, um a R$ 2 e três por R$ 5, com figurino bem caprichado.
Por Simone Magno
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Quando acaba a última palestra, por volta das oito e meia da noite, os restaurantes mais badalados de Paraty regurgitam gente e estendem o clima de ver-e-ser-visto. Mas também há versões bem mais em conta da chamada “baixa gastronomia”. O lugar mais procurado é o trailer que fica ao lado da ponte e que vende pastéis de 30cm. Eles custam entre R$ 6 e R$ 11, sendo que este último, o “especial”, é recheado com tudo o que se possa imaginar. E assim ficam saciadas todas as fomes.
Por Mariza Tavares